quinta-feira, 16 de agosto de 2007

tudo o que é vivo renasce

que nem eu...

talvez, tudo volta... o mundo fica girando e tem vezes que você deseja correr no sentido oposto mais rápido que a luz, que nem o super-homem...

mas outras vezes, deixa ele rodar e rodar até dar a volta de peão, chegar o novo aeon... chegar o trem do Raul... e fica tudo certo do mesmo jeito...

não... do mesmo jeito não... mas certo fica, e é bom que os jeitos se inovem... porque é isso que conta. O sopro de vida que acontece aqui serve pra descobrir, inventar e passar por cima dos mil jeitos... voltar e querer correr pro outro lado da Terra é tolice de super-herói mesmo. É por isso que eu nunca gostei desses filmes.

sábado, 21 de julho de 2007

codinome

sem realmente querer escrever isso aqui... mas igualmente com preguiça de pegar um caderno mais reservado...

a única graça de namorar, na verdade o único vício em namorar deve ser a rotina que se cria... porque é uma rotina que se escolhe, uns rituais que supostamente são só seus e de outro e uma rotina que se gosta, teoricamente. Porque as outras rotinas caem nos seus braços sem você pedir... são exógenas na minha equação.

terça-feira, 17 de julho de 2007

estrada real

no princípio era a mata, mata em cima de montanha, mata em cima de cachoeira. Daí viram o valor que tava dentro da montanha e resolveram abrir, abrir que nem Kinder Ovo. Verde por fora e amarelo por dentro. E hoje em dia é só maconha. Frio, ladeira e maconha. E se os bandeirantes fumassem maconha?? e se eles fossem pra balada?? e se Tiradentes morasse numa república junto com Tomás Antônio, Cláudio Manoel, Marília e Bárbara Heliodora?? ia ser uma putaria... se pá, eles esqueceriam da Inconfidência... e ficassem só pensando nela... pensando na Inconfidência e comendo doce de leite.
Lutaram na ditadura por liberdade achando que lutavam pelo país, e depois da "liberdade", o país continua uma merda, e hoje ficam com saudosismo achando que num há mais nada contra o que se lutar... por que a elite intelectual ocupa a reitoria e consegue toda a mídia pra si e não reivindica reforma da educação de base, se só o que se aprende na faculdade é que o problema é a educação básica? Só porque eles ainda não tem filhos? não tem filhos, nem irmãos, nem primos que usam essa "educação de base". Talvez o filho da empregada use, mas até aí, o papa tá mais perto de mim do que o filho da empregada...
sete dias isolada do meu mundinho, transportada pra outro mundinho quase igual, mas pelo menos sem celular e sem saber do terremoto no Japão ou de outro escândalo de corrupção. Com criancinhas européias pulando na tumba do Aleijadinho e brincando com a palmatória que ardeu na mão de uns muitos escravos. E de novo aquela sensação atemporal e de leveza que eu sinto quando me olho na sala do dentista, na festa de casamento de um parente desconhecido, em Buenos Aires, na padaria, numa senzala, no banheiro ou na Bahia.
e só por tudo isso que viajar é legal.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

nonsenseando

vou andar, vou voar pra ver o mundo... nem que eu bebesse o mar encheria o que eu tenho de fundo...

o amor é azulzinho. Até o sol nascer amarelinho...

será que os engravatados vão mudar o mundo?? será que a gente vai fazer a revolução silenciosa dos ursinhos carinhosos? ou a gente tem mesmo que jogar uma bomba nos coleguinhas de sala que querem ganhar um milhão antes dos 30?

será que pra ela tudo vai parar de fazer sentido? epidérmica... eu bem que queria ter o meu atestado de loucura também... e sentir tudo, ter tanta certeza de sentir, pelo menos.

flauta
postura, com um triângulo nas costas, joga as asinhas pra trás, vira a cabeça pra esquerda, relaxa os ombros, não relaxa as pernas! não olha pra baixo, não cai o braço direito! relaxa os dedos da mão direita, fecha mais os da esquerda, não põe em cima do lábio de baixo, curva o lábio de cima, abre a garganta, faz tuuu, faz duuu, pensa em êêê, pensa em áááá, respira, olha a dinâmica, olha o acidente, não olha, não toca com os dedos, toca com a mente, olha a afinação, ouve o outro, ouve você, aumenta o volume, toca piano, toca sem harmônico, não faz vibrato, não bate o pé, cadê a marcação com o pé? não toca erudito, cadê a ginga?? o teu suín? as meninas têm mais...

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Where the sky is always blue.

Teve um dia que ela chegou diferente. Tava atacada, eu diria. Falando alto, hiperativa, cheia de piadinhas pra sala inteira. As piadinhas que eram nossas. E no dia seguinte também. E no outro, e no outro. Eu não lembro mais há quantas semanas foi isso e o tempo de tudo corre meio tortuoso na minha cabeça.

Por que é que a gente num presta atenção nas coisas certas na hora certa? ou pelo menos, por que é que eu num presto atenção em coisa nenhuma? Quer dizer, eu prestei. Era inevitável notar, diferentemente de tudo que passa por mim todo dia e parece parede de uma cor só. Ela era mais colorida que o normal, mais barulhenta que o normal e mais minha mãe do que o normal. Mas a questão num é se culpar por não notar o que tava por fora, na mochila nova, no vestido novo, nas atitudes novas, e que todo mundo via... foi a minha insensibilidade... de estar o tempo todo grudado em alguém e não conseguir se fundir totalmente nos seus pensamentos, não se imiscuir nos seus sentimentos para prescindir de qualquer palavra ou símbolo... é não escancarar um coração, pra poder ajudar... de alguém que tava tão do lado e tão exposto e pedindo tanto.

Ela dizia que sentia tudo o que a pessoa amada tava sentindo naquele instante, mesmo que não se soubesse nem onde a outra estava, ou o que estava fazendo. E eu concordei... que também, às vezes, eu ficava muito mais próxima quando tava longe. E no dia que a gente dormiu juntas, ela disse que acordou até cansada porque a gente tinha ficado a noite inteira conversando nos nossos sonhos. Agora vem um monte de gente estranha dizer que isso é transtorno, que causa um sentimento de grandiosidade e convicções telepáticas. Mas só o que eu sei é que, naquela noite, a gente conversou muito, em todos os nossos sonhos, e eu sei exatamente o que ela quis dizer com isso. Daí, o que define a minha sanidade? a minha e de todos os outros, que se divertiram, que se libertaram, que aprenderam sobre a vida e sobre si mesmos, por causa dela e das últimas semanas? é bem subjetivo... até onde um fluxo contínuo de idéias brilhantes é ruim? até onde se pode exacerbar sua criatividade, seus sentidos e sentimentos? até onde vai a alegria?

O único problema dela é todo o resto... só o resto da sociedade torna uma doença aquilo que é "socialmente inconveniente". Só outra pessoa, que aparece de repente, é capaz de acender uma faísca de vida excessiva dentro de alguém. É por isso que no mundo novo, que é admirável, eles estão precavidos... ninguém cria esses laços que podem gerar sentimentos, que por sua vez, podem se tornar excessivos... e todos são escrupulosamente treinados para enfrentar essa tal de sociedade. Essa tal de vida. Só é que agora eu entendo tanto ela... que mesmo sem saber onde está a bonequinha, se eu fecho os olhos, o ar que eu respiro é o mesmo que o dela, o coração que bate em mim é o dela, e os pensamentos que dançam na minha mente foi ela que me enviou... e é assim que deve ser, sempre.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

de dentro dos corações que sublimam

Quando perguntaram pra ela como era o tal menino, ela desligou por dois segundos, em seguida, como concatenasse toda a essência do objeto em seu próprio corpo de menina, jogou pra cima os olhos, que transbordavam de sentimento e, abrindo a boca num sorriso gigante, no mesmo momento em que as mãos se puseram a gesticular freneticamente, ensejou brilhantemente uma descrição... de algo que se assemelhava à soma de todas as características de alguém... mas bastou pouco para ela perceber que era inútil qualquer tentativa, só de palavras e mãos, de pintar no espaço aquilo que ela mais gosta... porque aquilo que a gente mais gosta tem um tom de perfeição sacra, de beleza amoral, de coisa que não se pode banalizar em adjetivos no vento das três da tarde. E aí, ela só desiste de falar e suspira... suspira alto que nem mocinha de filme...

sábado, 7 de abril de 2007

o tempo de uma saudade

É tanta coisa e tão pouco que nem sei se começo por baixo ou por cima...

As coisas que queria dizer não cabem no meio das outras que preciso dizer. Mas estas daqui são tão chatas e sem resposta que eu realmente preciso de um psicólogo.... só alguém muito bem pago pra me aguentar falando. Na verdade psicólogo só serve pra isso, creio eu... não deve se esperar deles nenhuma solução ou opinião melhor ou mais válida do que qualquer outro, porque estão tão limitados quanto você com relação à seus problemas... estão ali pra você poder falar sem culpa de estar enchendo o saco de alguém e falar à vontade, pelo tempo que pagar. É realmente uma função essencial.

Mas aí acontece que como eu não tenho dinheiro pra pagar um profissional, essa maravilha moderna chamada blog vai ser um ótimo substituto, e os três ou quatro que entrarem aqui e perderem tempo com as lamúrias, reitero o pedido, não reclamem! Então, por consideração a quem continuar lendo, vamos deixar isso bem legal para você, psychologist wannabe. Falarei exatamente como se estivesse no divã.... e se porventura você não entender nada, não se preocupe... afinal, você é psicólogo e lida com pessoas mentalmente confusas, esqueceu?

Eu queria tomar um porre bem grande... todos os dias que ela chega e me pergunta,

- Bela, o que eu faço?

E eu fico obviamente, sem resposta. Começo a tentar responder e abaixo a voz aos poucos, como de costume... mas tem outras coisas piores que ela pode dizer, do tipo... "parece que eu só estou piorando", ou "eu só queria que tudo voltasse ao normal, como antes", ou ainda "eu tento me animar, mas num dá pra se animar assim o tempo todo, a troco de nada..." E é tanto pior quanto mais você sabe que é verdade, quanto mais você sente ou pensa sentir exatamente o que ela sente, ou quanto mais as coisas parecem se intrincar em um labirinto e fugir à qualquer controle.

E ela não dorme quando eu saio, não dorme quando eu passo a madrugada estudando, não dorme se eu durmo porque tem medo de dormir, desde que tudo começou... e eu com meus amigos e meus livros passo por cima da prolixidade dela, que cheia de idéias, informações e curiosidades engraçadas, tão apreciadas por mim, acaba falando pras paredes ecoarem e talvez entrarem no ouvido de quem tá dormindo no sofá, pescando com a televisão ou fazendo um sanduíche. Ela diz que queria estar tocando a vida que nem eu, que ainda faço tudo o que eu fazia antes, que ainda tenho uma vida normal... e eu disse que nada é normal até que ela fique bem... aí ela disse que sabe disso e que se sente mais culpada assim, por estar empacando nossa vida... eu tentei explicar que num é questão de empacar, é que a vida dela é a nossa também... mas aí percebi que a culpa ia recair nela no fim da explicação e por isso, fui baixando a voz de novo...

Ela se preocupa com as dívidas, se o extrato veio, se preocupa também quando o extrato não chega. Se preocupa com o preço pra vender o apartamento, o preço pra comprar, se preocupa com móveis novos e se preocupa em não mudar. Se preocupa com a chuva e com o calor excessivo, se preocupa se não dorme ou se esqueceu do que sonhou, se preocupa com minha comida, com a asma do pai, com o leite que acabou... com os irmãos que nunca ligam, com a revista que mente... com o nosso desemprego, com todo brasileiro que está doente... se preocupa em ser produtiva, útil e independente... se preocupa com todas as possíveis doenças raras, inclusive as causadas por preocupação.

Eu odeio e morro de amores e orgulho quando vejo ela toda noite segurando um daqueles santos com uma reza atrás e lendo e lendo e lendo... uma via sacra, um terço budista, uma procissão, toda a madrugada... a fé da minha mãe é a coisa mais linda que eu já vi. E eu amo essa fé no passo que eu sei que é ela que deixa três vidas em pé. E eu sei que ela é a coisa mais perene em que eu posso confiar... não acaba e independe do que acontece com o que é físico e dói... "se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais..." Eu queria poder sentir isso bem dentro de mim, mas num sou doida o suficiente... eu deixo essa parte difícil pra minha mãe e só conheço o que ressoa.

Enquanto isso, ele estuda mais do que eu, faz supermercado, feira, leva o cachorro na rua (ele num gosta mais do cachorro, quer dar logo ele)... ele faz caminhada e sobe correndo as escadas, se estressa e ainda entra na estatística como desempregado mas economicamente ativo... encasquetou agora que passar metade do dia vendo televisão com fone de ouvido vai apurar de novo o inglês dele... e nisso, o que ela falou fica só na parede... sobra silêncio ao mesmo tempo que falta espaço pra conversa, falta assunto, falta tempo, sobra amor mas falta tanto... é triste, mas é tudo muito compreensível, é uma degeneração diária, que a cabeça num suporta mais... as idéias se reprimem, se distorcem aqui... totalmente compreensível... eles são as melhores pessoas que eu conheço, o problema é a casa. Aqui nunca foi muito bom... desde sempre me senti como visita nessa casa, mas agora ela tá carregada de todos os estigmas e pensamentos de chumbo e responsabilidades amargas e dores injustas destes tempos últimos. É exigir muito pensar algo são quando mal dá pra respirar sem doer.

Eu juro que eu num quero mais falar disso... você tá sendo tão bom, quetinho aí, me escutando, que eu já me aliviei...

Mas eu tenho certeza que as últimas madrugadas me estragando de chocolate e sono no sofá, estudando pra prova imbecil do dia seguinte, afetaram seriamente minha capacidade cognitiva... acho que é tipo aquelas histórias de que alguém fumou maconha e num voltou mais... o último beck de estatística danificou meu cérebro permanentemente... eu sei.

Meu amigo, que adora xingar policial e ser preso, disse essa semana que se fosse policial ia se drogar muito, tomar whisky o dia inteiro, sair na rua, socar quem ele revistasse e metralhar bandido. E daí, você vê que só Freud explica o porquê do país estar onde está.

Eu li um texto agora da Marilena Chauí, defendendo a frase inconveniente da ministra. Eu me diverti imaginando a Chauí lendo o que ela tinha dito e pensando 'ai que bosta, vou ter que fazer um puta texto gigante e teórico pra contornar o que a infeliz falou'. Daí ela diz que a classe dominante do Brasil se acha no direito de explorar os negros pois eles são 'safados e indolentes' e que a classe média desse mesmo país confere imensa importância à manutenção do seu número de empregados domésticos, como símbolo de status social... Eu num sei, eu num sei de mais nada... eu num sei se eu realmente vivo no Brasil ou se eu estou mesmo tão alienada ao que me cerca... preconceito, infelizmente, a gente tem, mas senhor de engenho e senzala, espero que não...

Eu acho que a consulta se alongou por demais e começou a tomar um viés político... sei lá... é melhor parar por aqui que já me deu dor nas costas...

agradeço qualquer atenção dispensada... eu tava meio carente...

tava nada! eu sou hiper-auto-suficiente, meu alterego retruca....

beijos!